Resumen
Nos países em desenvolvimento, os adultos jovens são especialmente vulneráveis e informações de base populacional sobre os fatores de risco cardiovascular nesta população no Brasil ainda são restritas. Objetivou-se descrever o perfil sociodemográfico e clínico de adultos jovens hipertensos em uma cidade nordestina do Brasil. O estudo foi documental, quantitativo, realizado a partir de 14200 fichas de pacientes hipertensos cadastrados nas unidades básicas de saúde de Fortaleza-Ceará. O projeto foi aprovado em Comitê, sob o Nº08622921-4. Utilizou-se como critério de inclusão, ser adulto jovem (20 a 24 anos) e ter o diagnóstico de hipertensão, compondo uma amostra de 20 fichas. 60% eram mulheres; 75% eram pardos; 35% possuíam 1º grau incompleto; 40% deles moravam com a família; 35% apresentaram pressão arterial sistólica em 120mmHg e pressão arterial diastólica em 80mmHg, estando, portanto, no nível de classificação normal, de acordo com as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão [VI DBH, 2010]. A circunferência abdominal variou de 60 a 123 centímetros e o peso variou de 49 a 136 quilos. Com relação às complicações, verificou-se 3 pacientes com infarto, 1 com outras coronariopatias, 2 tiveram acidente vascular encefálico, 3 tiveram doença renal. Com relação aos fatores de risco, metade deles afirmou possuir antecedente familiar cardiovascular, 5% referiu tabagismo, 55% eram sedentários e 85% estavam com sobrepeso/obesidade. Concluiu-se que apesar de numericamente pequenos, esses percentuais são alarmantes, visto que trata-se de adultos jovens; o sobrepeso e a obesidade, associados ao estilo de vida sedentário, destacam-se; observou-se que complicações antes predominantemente características da população adulta e idosa agora passam a ocorrer precocemente. Logo, a preocupação com a saúde dos adultos jovens deve ser maximizada, com vistas a intervir nos diversos fatores que desencadeiam este quadro para tentar mudá-lo. BIBLIOGRAFIA DIRETRIZES Brasileiras de Hipertensão Arterial, 6. Rev. Bras. Hipertensão, Rio de Janeiro v. 17, n. 1, p.1-64, jan./mar. 2010.
Introdução
As últimas décadas trouxeram importantes alterações na saúde da população mundial. Mudanças de comportamento, nos modos de trabalhar, de se alimentar e de lazer, acompanhadas, especificamente no Brasil, pelo envelhecimento populacional, interferiram no processo saúde-doença, aumentando o risco para um grupo que tomou grande relevância e tem lançando novos desafios à saúde pública, as doenças crônicas não infecciosas, que, nas estimativas da Organização Mundial de Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde terão seu índice de óbitos aumentado em 17% nos próximos dez anos [OMS/OPAS, 2005].
No grupo das doenças crônicas não infecciosas, as doenças cardiovasculares são as mais representativas e responsáveis pelas maiores taxas de morbimortalidade na população brasileira e em todo o mundo, gerando perdas significativas no campo individual e coletivo, de alto custo financeiro e social. As doenças cardiovasculares compartilham com as doenças crônicas não infecciosas vários fatores de risco, dentre eles o tabagismo, dislipidemias, hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade, sobrepeso, sedentarismo, dieta pobre em vegetais e frutas, uso de álcool e o estresse psicossocial [LUNA, 2009; BRANDÃO et al, 2006; BRASIL, 2006; BRASIL, 2005a].
Situações de exposição a fatores de risco cardiovascular em nosso cotidiano são comuns. O ritmo de vida da sociedade contemporânea, o consumismo, a mídia, convidam para uma omissa e curiosa relação de prazer e riscos entre os jovens e o uso de álcool, fumo, as refeições “práticas” dos fast foods, dentre outras, tornando corriqueira a vulnerabilidade as doenças cardiovasculares [BRANDÃO et al, 2004; LIRA et al, 2006].
Nos países em desenvolvimento, os adultos jovens são especialmente vulneráveis e informações de base populacional sobre os fatores de risco cardiovascular nesta população no Brasil ainda são restritas.
Os adultos jovens se defrontam com questões importantes nessa fase da vida, de enfrentamento e busca de estabilidade no campo profissional, de relações pessoais, entre outras. Influenciados pelo consumismo contemporâneo, que deveras influencia nos seus comportamentos de saúde, vemos o marketing da indústria de consumo e lazer influenciando na cultura do autocuidado. Algumas iniciativas de prevenção e promoção da saúde nesse campo dependem de políticas referentes a outros setores, que não o das políticas de saúde, como a indústria alimentícia, por exemplo [BARRETO; PASSOS; GIATTI, 2009].
Objetivo
Objetivou-se descrever o perfil sociodemográfico e clínico de adultos jovens hipertensos em uma cidade nordestina do Brasil.
Material e Métodos
O estudo foi documental, quantitativo, realizado a partir de 14200 fichas de pacientes hipertensos cadastrados nas unidades básicas de saúde de Fortaleza-Ceará. O projeto foi aprovado em Comitê, sob o Nº08622921-4. Utilizou-se como critério de inclusão, ser adulto jovem (20 a 24 anos) e ter o diagnóstico de hipertensão, compondo uma amostra de 20 fichas.
Resultados
Os resultados apontaram que 60% eram mulheres. No que se refere à raça, observou-se que 75% eram pardos e 15% eram brancos. Quanto à escolaridade, 35% possuíam 1º grau incompleto e 30% possuíam 2° grau completo. Verificou-se que 40% deles moravam com a família, enquanto 35% moravam com companheiro(a) e filho(s). Quanto aos níveis pressóricos 35% apresentaram pressão arterial sistólica em 120mmHg e pressão arterial diastólica em 80mmHg, estando, portanto, no nível de classificação normal, de acordo com as VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão [VI DBH, 2010]. A circunferência abdominal variou de 60 a 123 centímetros e o peso variou de 49 a 136 quilos. Com relação às complicações, verificou-se 3 pacientes com infarto agudo do miocárdio, 1 com outras coronariopatias, 2 tiveram acidente vascular encefálico, 3 tiveram doença renal. Com relação aos fatores de risco, metade deles afirmou possuir antecedente familiar cardiovascular, 5% referiu tabagismo, 55% eram sedentários e 85% estavam com sobrepeso/obesidade.
Discussão
Assim como outros estudos, também verificou-se maior representação de adultos jovens do sexo feminino. Acreditamos que este fato esteja relacionado não só a questões demográficas, mas pela crescente participação das mulheres no campo profissional e, consequentemente, no educacional [PAPALIA; OLDS; FELDMAN, 2009]. As características sociodemográficas colocadas até aqui influenciam ou assumem também o papel de fatores de risco cardiovascular, pois, como colocado nas IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão [DIRETRIZES, 2010], variáveis como sexo, idade, raça e renda podem referir risco cardiovascular acrescido em determinadas situações. As questões referentes ao sobrepeso/obesidade ainda aparecem como fortes catalizadoras de outros riscos como hipertensão arterial e dislipidemias [LEE et al., 2009; RADEMACHER et al., 2009; OLIVEIRA et al., 2010; RUBINSTEIN et al., 2010].
Conclusões
Concluiu-se que apesar de numericamente pequenos, esses percentuais são alarmantes, visto que trata-se de adultos jovens; o sobrepeso e a obesidade, associados ao estilo de vida sedentário, destacam-se; observou-se que complicações antes predominantemente características da população adulta e idosa agora passam a ocorrer precocemente. Logo, a preocupação com a saúde dos adultos jovens deve ser maximizada, com vistas a intervir nos diversos fatores que desencadeiam este quadro para tentar mudá-lo.
Estudo realizado por enfermeiras
REFERÊNCIAS
- BARRETO, S. M.; PASSOS, V. M. A. P.; GIATTI, L. Comportamento saudável entre adultos jovens no Brasil. Rev. Saúde Pública, São Paulo, v. 43, p. 9-17, 2009. Suplemento 2.
- BRANDÃO, A. et al. Hipertensão. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
- BRANDÃO, A. A. et al. Prevenção de doença cardiovascular: a aterosclerose se inicia na infância? Rev. SOCERJ, Rio de Janeiro, v. 17, n. 1, p. 37-44, 2004.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Prevenção clínica de doença cardiovascular, cerebrovascular e renal crônica. Brasília, 2006a. (Cadernos de atenção básica, n. 14).
- BRASIL. Ministério da Saúde. A vigilância, o controle e a prevenção das doenças crônicas não-transmissíveis: DCNT no contexto do Sistema Único de Saúde brasileiro. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005a.
- DIRETRIZES Brasileiras de Hipertensão Arterial, 6. Rev. Bras. Hipertensão, Rio de Janeiro v. 17, n. 1, p.1-64, jan./mar. 2010.
- LEE, D. S. et al. Trends in risk factors for cardiovascular disease in Canada: temporal, socio-demographic and geographic factors. Journal Canadian Medical Association. Canada, v. 181, n. 3-4, p. E55-66, 2009.
- LIRA, M.T. et al. Prevención cardiovascular y actitud de cambio frente a los factores de riesgo: um análisis crítico del estado actual. Rev. Med. Chile, Santiago, v. 134, n. 2, p. 223-230, 2006.
- LUNA, R. L. Hipertensão arterial: diagnóstico e tratamento. Rio de Janeiro: Revinter, 2009.
- OLIVEIRA, M. A. M. et al. Relation between anthropometric indicators and risk factors for cardiovascular disease. Arq. Brasileiros de Cardiologia, Rio de Janeiro, v. 94, n. 4, p. 451-457, 2010.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE-OMS. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE-OPAS. Prevenção de doenças crônicas: um investimento vital. Geneva, 2005.
- PAPALIA, D. E.; OLDS, S. W.; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento Humano. 7. ed. Porto Alegre: Artmed, 2009
- RADEMACHER, E. R. et al. Relation of bloom pressure and body mass index during childhood to cardiovascular risk factor levels in young adults. National Institutes of Health, Bethesda, USA, v. 27, n. 4, p. 237245, 2009.
- RUBINSTEIN, A. et al. Estimación de la carga de las enfermidades cardiovasculares atribuible a factores de riesgo modificables en Argentina. Revista Panamericana de Salud Pública, Washington, EUA, v. 27, n. 4, p. 237-245, 2010.
Publicación: Octubre 2011
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