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ISBN
978-987-22746-2-7



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Tema Libre

Processo de Enfermagem Aplicado a um Paciente
com Miocardiopatia Dilatada Associada à Doença de Chagas

 

Silva Rayssa Lidianne Souza1; Vasconcelos Daniella da Cruz2; Andriola Isadora Costa3; Fernandes Maria Isabel
da Conceição Dias4; Silva Rayanne Suelly da Costa5;
Lira Ana Luisa Brandão Carvalho6

Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Faculdade de Enfermagem. Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.


Resumen
Introducción: Traçar os diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I, as intervenções da Nursing Interventions Classification (NIC) e os resultados da Nursing Outcomes Classification (NOC) a um paciente com miocardiopatia dilatada associado à doença de chagas.
Material e métodos: Trata-se de um estudo de caso, realizado em um Hospital Universitário de Natal-RN/Brasil. Os dados foram coletados em uma enfermaria cardiológica do referido hospital, no mês de maio de 2011, através de um roteiro de entrevista e de exame físico. Para o desenvolvimento do estudo de caso, foram aplicadas as seguintes etapas do processo de enfermagem (PE): coleta de dados, diagnósticos de enfermagem e planejamento, onde as etapas de implementação e avaliação são indicadas como sugestão para futuros cuidados a pacientes com miocardiopatia dilatada associada à doença de chagas. A primeira etapa do PE iniciou-se com a coleta de dados, através da anamnese, do exame físico e da consulta ao prontuário. Posteriormente, foram traçados os diagnósticos de enfermagem utilizando-se as etapas do raciocínio clínico e julgamento diagnóstico preconizadas por Risner (1986). Após o estabelecimento dos diagnósticos, foram traçados os resultados esperados segundo a NOC e as intervenções de acordo com a NIC.
Resultados: Paciente do sexo masculino, 35 anos, portador de Miocardiopatia Dilatada por doença de chagas há 2 anos. Os principais diagnósticos de enfermagem (DE), intervenções (I) e resultados (R) encontrados foram: (DE): Débito cardíaco diminuído. (I): Manter cuidados cardiovasculares, como avaliar a circulação periférica; monitorizar sinais vitais com freqüência; monitorizar o equilíbrio de líquidos; organizar períodos de exercício e descanso para evitar fadiga; orientar o paciente sobre a importância de relatar imediatamente qualquer desconforto no peito. (R): Eficácia da bomba cardíaca. DE secundários: Intolerância à atividade e Fadiga.
Conclusão: Os resultados permitiram a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem que possibilitou o planejamento de uma assistência eficaz, de caráter individual e contínuo.

 

Resumo
Trata-se de um estudo de caso, que teve como objetivo traçar diagnósticos, intervenções e resultados de enfermagem em um paciente com miocardiopatia dilatada associada à doença de chagas. Trabalho desenvolvido em um Hospital Universitário, localizado no município de Natal-Brasil, em maio de 2011. Entre os principais diagnósticos de enfermagem identificados, destaca-se: Débito cardíaco diminuído; Intolerância à atividade; e Fadiga. Percebeu-se que a aplicação do processo de enfermagem neste paciente contribuiu para delimitar o campo de atuação específico da enfermagem, bem como identificar os cuidados prioritários, contribuindo para uma melhoria na qualidade da assistência.



Introdução
A miocardiopatia consiste numa doença do músculo cardíaco, que pode ser classificada de acordo com as anormalidades estruturais e funcionais do músculo cardíaco, a saber: miocardiopatia dilatada, hipertrófica, restritiva, arritmogênica e não classificada. A miocardiopatia dilatada é a forma mais comum encontrada, acomete mais homens, com incidência de 5 a 8 casos por 100.000 pessoas por ano. Caracteriza-se por uma dilatação dos ventrículos, acarretando disfunção sistólica. A disfunção ocorre porque as fibras musculares perdem uma parcela do seu potencial contrátil e as células miocárdicas acabam sofrendo necrose. As somas desses eventos resultam na diminuição da quantidade de sangue ejetado do ventrículo com a sístole, ocasionando um aumento na quantidade de sangue que permanece no ventrículo após sua contração. A diminuição no volume sistólico faz com que o sistema nervoso simpático seja estimulado, ativando o sistema renina-angiotensina-aldosterona, e como conseqüência ocorrem resistência vascular periférica e grande retenção de sódio e líquido, sobrecarregando o coração com uma grande carga de trabalho. Tal situação pode desencadear a insuficiência cardíaca [1].

São inúmeras as condições e doenças causadoras da miocardiopatia dilatada, incluindo a ingestão excessiva de álcool, gravidez, infecção viral e a doença de chagas. O diagnóstico médico comumente é realizado através da avaliação clínica, do eletrocardiograma, do raio x de tórax e da biópsia endomiocárdica. O tratamento objetiva tratar as causas da doença corrigindo a insuficiência cardíaca com o uso de medicamentos, dieta hipossódica, restrição de líquidos e atividades de repouso e exercícios. As disritmias são tratadas com medicamentos antiarrítmicos, e às vezes, com a implantação de marcapasso [1].

A fim de fornecer um cuidado de qualidade e direcionado para as reais necessidades do paciente com miocardiopatia dilatada associada à doença de chagas, o presente estudo baseou-se na sistematização da assistência de enfermagem, através da aplicação do Processo de Enfermagem (PE). O PE consiste em uma forma organizada de cuidar do paciente e segue alguns passos previamente estabelecidos, como a coleta de dados, o diagnóstico, o planejamento, a implementação e a avaliação dos resultados.

Acreditando na importância do PE, na necessidade de se utilizar uma linguagem universal tanto no ensino como na assistência e na relevância do desenvolvimento de estudos de caso para o aperfeiçoamento da prática reflexiva da enfermagem, surgiu a motivação para a realização deste estudo.


Objetivo
Traçar os diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I, as intervenções da Nursing Interventions Classification (NIC) e os resultados da Nursing Outcomes Classification (NOC) a um paciente com miocardiopatia dilatada associado à doença de chagas.


Material e Métodos
Trata-se de um estudo de caso, realizado em um Hospital Universitário de Natal-RN/Brasil. Os dados foram coletados em uma enfermaria cardiológica do referido hospital, no mês de maio de 2011, através de um roteiro de entrevista e de exame físico.

Para o desenvolvimento do estudo de caso, foram aplicadas as seguintes etapas do processo de enfermagem: coleta de dados, diagnósticos de enfermagem e planejamento, onde as etapas de implementação e avaliação são indicadas como sugestão para futuros cuidados a pacientes com miocardiopatia dilatada associada à doença de chagas.

A primeira etapa do PE iniciou-se com a coleta de dados, através da anamnese, do exame físico e da consulta ao prontuário do referido paciente. Posteriormente, foram traçados os diagnósticos de enfermagem utilizando-se as etapas do raciocínio clínico e julgamento diagnóstico preconizadas por Risner (1986), a saber: primeira etapa envolvendo a análise (categorização dos achados, observando os dados divergentes ou lacunas) e a síntese dos dados (comparação dos achados com normas, conceitos e modelos encontrados na literatura e a realização da inferência diagnóstica); e por fim a segunda etapa envolvendo a construção redacional do diagnóstico (segundo a NANDA-I) [3].

Após o estabelecimento dos diagnósticos, foram traçados os resultados esperados segundo a NOC e as intervenções de acordo com a NIC [4,5].

Respeitando-se a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, o paciente foi convidado a participar do estudo, o qual foi informado sobre os objetivos do estudo, a participação voluntária, os riscos e benefícios e a confidencialidade das informações.


Resultados
Paciente do sexo masculino, 35 anos, cor parda, agricultor, casado e com filhos. Portador de Miocardiopatia Dilatada por doença de chagas há 2 anos, e de marca-passo há 1 ano e 9 meses. Relata sentir dispnéia aos mínimos esforços há 2 anos e 3 meses. Nega consumo de cigarros, porém, relata consumo de bebidas alcoólicas, de forma eventual, até o início de sua doença. Refere apetite diminuído, dieta hipossódica, 5 refeições/dia, restrição hídrica de 1000ml/24h. Informa 6 micções/dia, mais frequente no período diurno, nega desconforto. Eliminações intestinais presentes, 1x/dia, sem alterações. Sono preservado, em média, 8 horas por dia, predominantemente no horário noturno, sem interrupções.

Relata ter dificuldades para subir escadas e andar, devido o cansaço e a falta de ar. Relata ainda dificuldade em aprender coisas novas, ler e memorizar, mas considera importante aprender sobre sua doença e seu tratamento. Informa não existir preocupação ou infelicidade quanto a sua sexualidade, houve mudanças na sua função fisiológica sexual pelo cansaço. Informa mudança de vida nos últimos 2 anos por “sentir cansaço”. Possui higiene corporal e higiene oral adequadas, relata dificuldade atual para andar quando está cansado, não houve quedas durante os últimos 6 meses. Estado geral bom, consciente, orientado. Pele íntegra e hidratada, mucosas normocoradas. Normotenso, bradicárdico, taquipnéico, normotérmico, peso 68,0 Kg. Normocefálico, utilização de óculos, pupilas isocóricas. Seios paranasais indolores. Lábios e mucosa oral íntegros, arcada dentária completa. Linfonodos impalpáveis e indolores; carótidas com batimentos perceptíveis à palpação, simétricos e fracos. Tórax simétrico e normal, expansão torácica diminuída, à ausculta pulmonar murmúrios vesiculares presentes. À ausculta cardíaca bulhas hipofonéticas em 2 tempos, ritmo e frequência normais, ictus cordis localizado lateralmente a linha hemiclavicular esquerda, difuso e propulsivo.  Abdome plano, indolor à palpação, ruídos hidroaéreos presentes e hipoativos. Membros livres de edema, com pulsos palpáveis e simétricos.

Os principais diagnósticos de enfermagem (DE), intervenções (I) e resultados (R) encontrados foram: (DE): Débito cardíaco diminuído relacionado à freqüência cardíaca alterada, evidenciado por bradicardia, dispnéia e fadiga. (I): Manter cuidados cardiovasculares, como avaliar a circulação periférica; monitorizar sinais vitais com freqüência; monitorizar o equilíbrio de líquidos; organizar períodos de exercício e descanso para evitar fadiga; orientar o paciente sobre a importância de relatar imediatamente qualquer desconforto no peito. (R): Eficácia da bomba cardíaca. (DE): Intolerância à atividade relacionada ao desequilíbrio entre a oferta e a demanda de oxigênio, evidenciado por desconforto e dispnéia aos esforços, relato verbal de fadiga e de fraqueza. (I): Determinar as limitações físicas do paciente; monitorizar a ingesta nutricional para garantir recursos energéticos adequados; monitorizar a resposta cardiorrespiratória à atividade; estimular períodos alternados de repouso e atividade. (R): Tolerância à atividade. (DE): Fadiga relacionada a estados de doença, evidenciado por aumento das necessidades de repouso, aumento das queixas físicas, cansaço, concentração comprometida, desempenho diminuído, falta de energia, incapacidade de manter o nível habitual de atividade física, libido comprometida e verbalização de uma constante falta de energia. (I): Encorajar o paciente a escolher atividades que, lentamente, componham a resistência; encorajar a atividade física coerente com os recursos energéticos do paciente. (R): Nível de fadiga [3].

Discussões
As manifestações clínicas da doença podem ser imperceptíveis durante anos. Com a progressão da enfermidade, o paciente apresentará dispnéia aos esforços e fadiga, além disso, poderá surgir sintomas como edema periférico, náuseas, retenção de líquidos, dor torácica, palpitações, tontura e síncope ao esforço [1].

O diagnóstico débito cardíaco diminuído é definido como sendo a quantidade insuficiente de sangue bombeado pelo coração para atender às demandas metabólicas corporais [3]. Foi evidenciado pelo paciente em questão quando o mesmo apresentou bradicardia, fadiga e dispnéia. Esse diagnóstico é esperado em pacientes com problemas cardíacos, devido ao comprometimento dos mecanismos reguladores que ocorre nestes casos [1].

O diagnóstico intolerância à atividade é determinado como sendo a energia fisiológica ou psicológica insuficiente para suportar ou contemplar as atividades diárias requeridas ou desejadas [3]. O diagnóstico de fadiga é definido como uma sensação opressiva e sustentada de exaustão e de capacidade diminuída para realizar trabalho físico e mental no nível habitual [3]. Esses DE são comprovados pelo fato do paciente em questão apresentar desconforto e dispnéia aos esforços e relatar verbalmente fraqueza, fadiga, aumento das necessidades de repouso, queixas físicas, cansaço, concentração comprometida, desempenho diminuído, falta de energia, incapacidade de manter o nível habitual de atividade física e libido comprometida.

Tal como foi relatado anteriormente a cardiomiopatia poderá desencadear a insuficiência cardíaca, sendo definida como a incapacidade que o coração apresenta em adequar sua ejeção às suas necessidades metabólicas do organismo, ou fazê-la apenas através de elevadas pressões de enchimento. Dessa forma, a insuficiência irá contribuir para um débito cardíaco diminuído, já que as frações de ejeção do coração estão dificultadas, acarretando assim nos diagnósticos de enfermagem, fadiga e intolerância à atividade, uma vez que o sangue bombeado ao organismo não é suficiente para as células realizarem seus processos metabólicos de formação de energia necessários para fornecer força e vigor ao organismo humano [1].

Conclusão
O presente estudo buscou identificar as necessidades de cuidado de enfermagem em um paciente com miocardiopatia dilatada associada à doença de chagas, que levou ao estabelecimento de três DE principais, a saber: débito cardíaco diminuído; intolerância à atividade e fadiga. Os resultados permitiram a elaboração de um plano de cuidados de enfermagem que possibilitou o planejamento de uma assistência eficaz, de caráter individual e contínuo.

Além disso, destaca-se a relevância da construção e utilização de estudos de caso visando à atualização e discussão da metodologia do PE, possibilitando o desenvolvimento de uma prática reflexiva que seja capaz de romper com os velhos modelos de assistência baseados na fragmentação e disjunção dos saberes, além de fornecer uma discussão dos diagnósticos de enfermagem, resultados e intervenções.

 

REFERÊNCIAS

  1. Smeltzer SC, Bare BG. Brunner & Suddarth- Tratado de enfermagem médico-cirúrgica. 11ª ed. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan; 2009.
  2. Risner PB. Diagnosis: analysis and synthesis of data. In: Griftith K, Cristensen PJ. Nursing Process: application of theories frameworks and models. 2nd ed. Saint Louis (MI): Mosby; 1986.
  3. North American Nursing Diagnosis Association (NANDA). Diagnósticos de Enfermagem da NANDA: definições e classificação – 2009/2011. Porto Alegre (RS): Artmed; 2011.
  4. Nursing Iterventions Classification (NIC). Classificação das Intervenções de Enfermagem. 4ª ed. São Paulo (SP): Artmed; 2004.
  5. Nursing Outcomes Classification (NOC). Classificação dos Resultados de Enfermagem. 2ª ed. Porto Alegre (RS): Artmed; 2004.

 




 

 

Publicación: Octubre 2011

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