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ISBN
978-987-22746-2-7



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Tema Libre

Adaptações Cardíacas em Atletas

 

Joaquim Castanheira; Bruno Mendes;
Margarida Pocinho; Jorge Conde

Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra.
Coimbra, Portugal.


Resumen
Introdução: Sabe-se que o exercício físico intenso e prolongado, induz alterações cardíacas que irão permitir ao coração dum atleta um desempenho físico excepcional mas que essas adaptações dependem das características do exercício que é realizado.
objetivos:
Avaliar as adaptações cardíacas verificadas em atletas de diferentes modalidades e verificar a relação entre essas adaptações e a modalidade em causa.
Material y métodos: Estudaram-se 49 indivíduos do sexo M com idades compreendidas entre os 17 e os 33 anos: 15 futebolistas; 12 jogadores de Râguebi; 10 praticantes de Culturismo e 12 indivíduos não atletas. A todos foi realizado ETT de acordo com as normas da ASE. O tratamento estatístico foi realizado através do teste t de Student para amostras independentes, Anova a 1 factor e regressão linear múltipla pelo Método Stepwise.
Resultados: Os grupos de atletas revelam valores superiores para o diâmetro da AE (p ≤ 0,05), SIV e PPVE (p ≤ 0,001) e MVE (p ≤ 0,001). Os valores absolutos do diâmetro do VE foram superiores no grupo de culturistas (60,870 ± 5,543 mm). Todos os grupos apresentaram valores de velocidades da onda E’ normais (p > 0,05). Os não atletas apresentaram valores de velocidade de propagação do fluxo transmitral superiores aos atletas (p ≤ 0,05).
Discussão: Existem diferenças significativas entre o coração de atleta e o coração do não atleta, sendo essas diferenças mais marcadas nos atletas do culturismo. A função diastólica revelou-se semelhante entre atletas e não atletas, embora estes resultados possam ser influenciados por factores como a idade, a FC, a pré-carga e a pós-carga.
Conclusiones: A nossa análise da estrutura anatómica e funcional do coração de atletas que praticam desportos dos tipos isométrico, isotónico e misto mostrou diferentes adaptações cardíacas, conforme a componente mais dinâmica ou mais estática do desporto que é praticado.

 


Introdução
Os indivíduos que praticam desporto regularmente, têm necessidades metabólicas e hemodinâmicas aumentadas. O seu coração tende a responder a essas necessidades, desenvolvendo uma variedade de alterações morfológicas e funcionais que levam, entre outras, a aumentos da espessura parietal, da massa ventricular esquerda (MVE) e do diâmetro diastólico do ventrículo esquerdo. Assim, o exercício físico intenso e prolongado induz adaptações morfológicas, funcionais e electrofisiológicas que permitem ao coração dum atleta um desempenho físico excepcional. O conjunto dessas adaptações, é habitualmente conhecido como síndrome do coração de atleta [1; 2].

As diferentes modalidades desportivas têm sido classificadas, fundamentalmente, em dois grandes grupos: desportos de resistência - em que há um predomínio do exercício isotónico e, desportos de força - em que há um predomínio de exercício isométrico. No entanto, a maioria da actividade física envolve simultaneamente as componentes dinâmica e estática. A resposta cardiovascular ao exercício depende da contribuição individual de cada uma dessas componentes [1; 4].

No exercício dinâmico existe um grande número de músculos em carga, ocorrendo um maior consumo de oxigénio, o que pressupõe um aumento do débito cardíaco (DC). Este aumento leva a uma sobrecarga de volume no ventrículo esquerdo a qual origina alargamento da cavidade e aumento de espessura das paredes. No exercício estático, a necessidade energética é essencialmente anaeróbia, o que impõe uma sobrecarga de pressão ao coração, levando ao aumento da massa muscular, sem aumento da cavidade [4].


Objectivos
O objectivo geral do estudo foi avaliar as adaptações cardíacas verificadas em atletas de competição praticantes de futebol, culturismo e râguebi (desportos de carácter isotónico, isométrico e misto, respectivamente), através da realização de ecocardiograma.


Material e métodos
A amostra ficou constituída por 49 indivíduos, distribuídos por 4 grupos: 15 atletas de futebol, 12 atletas de râguebi, 10 atletas de culturismo e 12 indivíduos não atletas. Todos os indivíduos são do sexo masculino, com idades compreendidas entre os 17 e os 33 anos e sem historial conhecido de patologia cardíaca.

 No caso dos atletas, só foram admitidos os detentores de pelo menos 3 anos de competição.

Após a aquisição dos dados sociodemográficos e clínicos, foi realizado ecocardiograma de acordo com as normas da Sociedade Americana de Ecocardiografia. Os exames foram realizados todos pelo mesmo operador num ecocardiográfo Vivid 3, da GE Healthcare.

A recolha dos dados preservou confidencialidade que lhe é exigida, sendo asseguradas todas as normas éticas bem como o anonimato dos participantes.

O tratamento estatístico dos dados foi realizado com recurso ao software estatístico SPPS versão 15.0.

As diferenças dos valores médios entre atletas e não atletas foram avaliadas com o teste t de Student para amostras independentes. Diferenças dos valores médios entre as várias modalidades desportivas foram avaliadas com o teste estatístico ANOVA a 1 factor. Um p ≤ 0,05 foi considerado estatisticamente significativo.

O teste estatístico Regressão Linear Múltipla – pelo Método Stepwise foi usado para avaliar o valor predito de algumas variáveis no diâmetro da Aurícula Esquerda e na relação E/A da válvula mitral.


Resultados
A média de anos de prática desportiva dos atletas da amostra foi de 9,4 ± 3,8, sendo os grupos do futebol e do râguebi os que revelaram em média mais tempo de prática. No que diz respeito à carga de treino, foi possível verificar que a média de horas de treino semanal dos atletas foi de 10,8 ± 2,1, sendo o grupo dos futebolistas o que apresentou mais horas (11,8 ± 0,7).

Na tabela 1 são apresentadas as medidas das dimensões cardíacas observadas entre os grupos de atletas e não atletas. Os resultados revelaram diferenças estatisticamente significativas (p ≤ 0,05) para o diâmetro da aurícula esquerda (diamAE), espessuras em diástole do septo interventricular (SIV) e da parede posterior do ventrículo esquerdo (PPVE) e da massa ventricular esquerda (MVE). Por outro lado, não se observaram diferenças estatisticamente significativas (p> 0,05) entre os dois grupos para o diâmetro da raiz da aorta (rAO) e para o diâmetro diastólico do ventrículo esquerdo (DdVE).

Variáveis

Atletas

Não Atletas

p

Média

DP

Mínimo

Máximo

Média

DP

Mínimo

Máximo

DiamAE(mm)

38,754

4,299

26,8

47,9

34,917

4,191

28,0

39,2

≤ 0,05

rAO(mm)

30,403

2,680

26,2

36,7

30,358

1,335

28,6

32,4

> 0,05

SIV(mm)

8,820

0,701

7,7

10,6

7,913

0,571

6,8

8,7

≤ 0,05

PPVE(mm)

8,293

1,042

5,0

11,0

7,352

0,681

6,0

8,1

≤ 0,05

DdVE(mm)

58,316

4,482

49,2

70,1

55,967

3,568

51,7

63,5

> 0,05

MVE(g)

194,173

34,003

147,7

281,7

156,650

26,010

125,0

218,7

≤ 0,05

Tabela 1. Variáveis ecocardiográficas. Atletas vs não atletas

Verificou-se também que o diamAE foi marcadamente superior nos atletas de culturismo (40,1mm ± 5,6 mm). A regressão linear múltipla pelo método stepwise mostrou correlação entre os diâmetros da AE e do VE (R2= 0,114), sugerindo que aproximadamente 11% da variabilidade da dimensão auricular é explicada pela variabilidade da dimensão ventricular.

Relativamente ao DdVE, embora não se tenham registado diferenças estatisticamente significativas entre atletas e não atletas, avaliando os diferentes grupos da amostra entre si, verificou-se a presença de diferenças estatísticamente significativas (p ≤ 0,05) entre o grupo de praticantes de culturismo e o grupo de não atletas, sendo a diferença média mais elevada (4,9 mm) nos atletas do culturismo.

Em relação à MVE, os três grupos de atletas apresentaram valores médios muito semelhantes entre si.
Nas tabelas 2 e 3 são apresentados os resultados obtidos quanto à avaliação das funções sistólica e diastólica do VE. Quanto à função sistólica, foram estudados o volume sistólico (VS), o DC, e as fracções de encurtamento (FEnc) e de ejecção (FE). Não foram observadas diferenças estatisticamente significativas para estas variáveis entre o grupo de atletas e o grupo de não atletas.

 

Variáveis

Atletas

Não Atletas

p

Média

DP

Mínimo

Máximo

Média

DP

Mínimo

Máximo

E/A

2,16

0,65

1,08

3,81

1,76

0,33

1,17

2,36

> 0,05

Slope

58,327

18,591

25,90

123,40

88,933

37,21

42,80

83,69

≤ 0,05

E’ septal

12,432

1,68

10,0

17,0

12,667

2,64

9,0

18,0

> 0,05

E’ lateral

18,487

2,341

14,0

24,0

18,250

2,989

13,0

22,0

> 0,05

Tabela 2. Função sistólica. Atletas vs não atletas


Em relação à função diastólica, os resultados revelaram diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos para a velocidade de propagação do fluxo através da válvula mitral (slope mitral), sendo os valores superiores nos não atletas. Por outro lado, não se registaram diferenças estatisticamente significativas para a relação E/A da válvula mitral nem para as velocidades da onda E’ das paredes septal e lateral (tabela 3).
TABELA 3

Variáveis

Atletas

Não Atletas

p

Média

DP

Mínimo

Máximo

Média

DP

Mínimo

Máximo

E/A

2,16

0,65

1,08

3,81

1,76

0,33

1,17

2,36

> 0,05

Slope

58,327

18,591

25,90

123,40

88,933

37,21

42,80

83,69

≤ 0,05

E’ septal

12,432

1,68

10,0

17,0

12,667

2,64

9,0

18,0

> 0,05

 lateral

18,487

2,341

14,0

24,0

18,250

2,989

13,0

22,0

> 0,05

Tabela 3. Função diastólica. Atletas vs não atletas


No entanto, quando analisados os diferentes grupos da amostra entre si, verificou-se que a relação E/A da válvula mitral e as velocidades da onda E’ do anel revelaram valores superiores nos futebolistas. A regressão linear múltipla pelo método stepwise mostrou a existência de correlação entre a relação E/A da válvula mitral e a idade (R2= 0,226), sugerindo que aproximadamente 22% da variabilidade desta relação é explicada pela idade.


Discussão
Da análise dos resultados, verificámos que, em termos globais, existem diferenças entre o coração de atleta e o coração do não atleta, constituindo algumas destas diferenças claras adaptações cardíacas ao exercício. Efectivamente, no que diz respeito às dimensões cardíacas, observámos que o remodeling auricular esquerdo constitui uma adaptação frequentemente encontrada nos atletas e que existe correlação entre os diâmetros da AE e do VE. Tal como descrito por outros autores [5], também verificámos que o alargamento da aurícula esquerda está dependente do tipo de desporto que é praticado.

Quanto à espessura das paredes do VE e à MVE, os nossos resultados vão de encontro a várias evidências científicas, que comprovam que o treino condiciona o aumento da pré-carga acompanhado pelo aumento destas variáveis [6;7;8]. No entanto, os mesmos estudos também revelam um aumento do diâmetro do VE, o que não se verificou na nossa amostra.
Tendo em conta os resultados da análise das diferenças da espessura das paredes e o diâmetro diastólico do VE, observamos que, na nossa amostra, o espessamento das paredes do VE constituiu uma adaptação primária relativamente ao alargamento da cavidade.

Relativamente ao estudo da função sistólica, não se registaram diferenças estatisticamente significativas entre atletas e não atletas no nosso estudo. Na literatura por nós consultada, parece não haver um consenso geral acerca da resposta destes parâmetros ao exercício, uma vez que há estudos que relatam uma melhoria dos índices da função sistólica como comportamento típico em atletas, enquanto outros referem que a função sistólica global é semelhante entre atletas e não atletas [4; 6; 9; 10].

Também constatámos que a função diastólica é semelhante entre atletas e não atletas, ainda que estes resultados devam ser interpretados com algum cuidado, uma vez que a relação E/A da válvula mitral e o slope mitral não estão apenas relacionados com a compliance do ventrículo esquerdo mas também são influenciados por outros factores, tais como a idade, a frequência cardíaca, a pré-carga e a pós-carga [11].


Conclusão
Concluímos assim que a prática desportiva de diferentes modalidades, condiciona marcadas adaptações a nível cardíaco.

 

REFERÊNCIAS

  1. Ghorayeb N, Batlouni M, Pinto I, Dioguardi GS. Hipertrofia Ventricular Esquerda do Atleta. Resposta Adaptativa Fisiológica do Coração. Arq Bras Cardiol 2005; 85(3): 191-197.
  2. Sousa BS. Coração de Atleta. Centro de Estudos de Fisiologia do exercício da Universidade Federal de São Paulo. 2005.
  3. Mitchell JH, Haskell W, Snell P, Van Camp SP. Task Force 8: Classification of Sports. J Am Coll Cardiol 2005; 45(8): 53-56.
  4. Pluim BM, Zwinderman AH, Laarse A, Wall EE. The Athlete’s Heart: A Meta-Analysis of Cardiac Structure and Function. Circulation 2000; 101: 336-344.
  5. Pellicia A, Maron BJ, Paolo FM, Biffi A, Quattrini FM, Pisicchio C, et al. Prevalence and Clinical Significance of Left Atrial Remodeling in Competitive Athletes. J Am Coll Cardiol2005; 46: 690-696.
  6. Faggard R. Athlete’s heart. Heart 2004; 13(4): 277-281.
  7. Puffer JC. A síndrome do Coração de Atleta. The Physician and Sportsmedicine 2004; 6(3): 5-12.
  8. Maron BJ, Pellicia A, Spirito P. Insights into methods for distinguish athlete’s heart from structural heart disease. Circulation 1995; 91: 1596-1601.
  9. Pellicia A, Maron BJ, Spataro A, Proschan MA, Spirito P. The upper limit of physiologic cardiac hypertrophy in highly trained elite athletes. New England Journal of Medicine 1991; 324: 295-301.
  10. Naylor LH, Arnolda LF, Deague JA, Playford D, Maurogiovanni A, O’Driscoll G, et al. Reduced Ventricular flow propagation velocity in elite athletes is augmented with the resumption of exercise training. J Physiol 2005; 563(3): 957-963.
  11. Nagueh SF, et al. Recommendations for the Evaluation of Left Ventricular Diastolic Function by Echocardiography. J Am Soc Echo2009; 22(2): 108-133.

 

 

 





Publicación: Noviembre 2011

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