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978-987-22746-2-7



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Tema Libre
Saberes do Cuidador Familiar em Relação à Hipertensão Arterial Sistêmica: um Desafio para
a Assistência de Enfermagem
 

Natália Pimentel Gomes Souza; Samia Jardelle Costa de Freitas Maniva; Consuelo Helena Aires de Freitas

Universidade Estadual do Ceará.
Ceará, Brasil.


Resumen
A incidência da hipertensão arterial tem aumentado na atualidade, podendo provocar uma série de complicações que levam o paciente a depender de assistência de um cuidador no domicilio. O estudo descritivo que teve como objetivo identificar os saberes do cuidador familiar de hipertensos sobre a patologia teve como locus dois hospitais de nível terciário da cidade de Fortaleza-Ceará-Brasil. Foram entrevistados 30 cuidadores de hipertensos hospitalizados no período de maio a junho de 2010, sendo utilizada a analise de conteúdo de Bardin para tratamento dos dados. Foram respeitados os preceitos éticos e legais em pesquisa com seres humanos, na qual foram obedecidas as exigências da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Nas falas dos cuidadores foram evidenciados alguns saberes em relação à hipertensão arterial, porém muitos deles responderam ter a necessidade de adquirir mais conhecimento. Os relatos comprovaram alguns equívocos cometidos na associação dos sinais e sintomas sentidos durante uma crise hipertensiva, fazendo-nos acreditar que os cuidadores não detêm esse conhecimento, o que prejudica a assistência prestada ao paciente durante os possíveis picos hipertensivos. A terapia medicamentosa foi citada como determinantes para o controle da hipertensão, bem como os hábitos alimentares também fizeram parte dos relatos, sendo entendidos pelos cuidadores que alimentos com excesso de sal e gorduras são verdadeiros inimigos dos hipertensos. Diante do exposto, conclui-se que os cuidadores dos pacientes hipertensos ainda possuem um conhecimento muito frágil relacionado às questões sobre hipertensão arterial, porém possuem boa vontade em receber orientações dos profissionais, cabendo principalmente ao enfermeiro, educador nato membro da equipe, essa função.

 

Introdução
As doenças cardiovasculares correspondem a uma das principais causas de morte no Brasil. O Ministério da Saúde estima que elas sejam responsáveis por 1/3 dos óbitos por causas conhecidas, ficando responsável, em 2002, por 2/3 dos pelos gastos com atenção à saúde [BRASIL, 2002].

Dentre as doenças cardiovasculares merece destaque a hipertensão arterial sistêmica (HAS), cujos fatores de risco e complicações representam elevada taxa de morbimortalidade gerando alto custo financeiro e social. Em nosso meio, a HA tem prevalência estimada em cerca de 20% da população adulta (maior ou igual a 20 anos) e forte relação com 80% dos casos de AVE e 60% dos casos de doença isquêmica do coração. Constitui, sem dúvida, o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares, cuja principal causa de morte, o AVE, tem como origem a hipertensão não-controlada [BRASIL, 2002].

A HAS é uma condição clinica multifatorial caracterizada por níveis elevados e sustentados de pressão arterial (PA). Associa-se frequentemente a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com consequente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais [SBC, 2010]. Caracteriza-se pela pressão sistólica igual ou maior que 140mmHg e diastólica igual ou maior que 90mmHg [SBC, 2010].

Devido à hipertensão arterial, muitos pacientes chegam a desenvolver morbidades que os deixam dependentes de cuidadores em seus domicílios. Por cuidador nesta pesquisa define-se como sendo a pessoa que assume a responsabilidade no cuidado do estado de saúde de uma pessoa, seja em situação de incapacidade ou não.
Enquanto o paciente encontra-se hospitalizado, existe uma equipe multiprofissional que é responsável pelo cuidado integral de mesmo, porém, devido a complicações que decorrem da hipertensão arterial mal controlada, muitos deles acabam voltando para seus domicílios debilitados e necessitando de um cuidador familiar.

Pela grande responsabilidade que o cuidador exerce na vida de um doente, destacamos a importância dele ter conhecimento suficiente em relação à patologia para melhor desempenhar seus cuidados em âmbito domiciliar.

Objetivo
Descrever os saberes do cuidador familiar de pacientes hipertensos em relação à hipertensão arterial sistêmica.

Material e Métodos
Trata-se de estudo descritivo, de natureza qualitativa realizado em dois hospitais de nível terciário pertencentes ao Sistema Único de Saúde (SUS), situados em Fortaleza-Ceará- Brasil. Um deles é referência Norte-Nordeste no país em traumatologia, enquanto o outro é o maior hospital público do estado, servindo sua população e também aos estados vizinhos por sua complexidade e referência em diversas áreas.

A investigação ocorreu junto à 30 cuidadores de pacientes hipertensos hospitalizados nos referidos hospitais e selecionados por amostragem intencional. Para manter o anonimato, os entrevistados foram designados pela letra C, referente à “cuidador”, seguido de número arábico indicando a ordem das entrevistas.

A coleta de dados ocorreu durante os meses de maio de junho de 2010 por meio de entrevista semiestruturada, e foi realizada preferencialmente no turno da tarde, por ser o período com menor fluxo de profissionais e procedimentos, tornando-se mais favorável para obtenção das informações.

O estudo faz parte de um projeto de pesquisa intitulado Ensinando o cuidado à saúde ao paciente e cuidador para o domicilio: intervenções de enfermagem em situações de diabetes e hipertensão arterial que vem sendo desenvolvida no contexto hospitalar acerca do cuidado clínico da enfermagem em situações de adoecimento por diabetes mellitus e hipertensão arterial. Foram respeitados os preceitos éticos e legais em pesquisa com seres humanos, na qual foram obedecidas as exigências da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual do Ceará (UECE) sob o parecer de nº 05050534-3, obtendo também aprovação nas instituições pesquisadas.

Resultados e discussão
As falas dos cuidadores remetem alguns saberes em relação à hipertensão arterial, porém muitos deles responderam ter a necessidade de adquirir mais conhecimento, como foi o caso do C1, C10 e C13: “Eu não sei, queria realmente saber mais” (C1). Sendo essas pessoas responsáveis pelos cuidados destinados a hipertensos, é essencial que informações sobre a patologia sejam transmitidas e ensinadas de forma simples e prática, com o intuito de que os cuidadores possam ter maior embasamento teórico para aliar à prática diária em seu domicílio. Para essa transmissão e conhecimentos, destacamos o enfermeiro como profissional educador em saúde nato, que tem subsídios para educar essa clientela para o autocuidado para hipertensão arterial.

Um ponto importante que podemos destacar de conhecimento sobre a doença são os sintomas sentidos quando o paciente está diante de uma crise hipertensiva. Alguns sintomas foram mencionados nas falas de C3 e C8, como sendo “dor de cabeça, dor nas pernas” (C3) e “tontura” (C8). Os relatos nos remetem alguns equívocos cometidos na associação de sintomas e hipertensão arterial, pois não há registros na literatura que a pressão arterial elevada cause dor nas pernas, bem como o sintoma de tontura é evidenciado por pacientes que sofrem de hipotensão e não de hipertensão como sugere C8.

A falta de conhecimento dos cuidadores em relação aos sinais e sintomas provocados pelo aumento excessivo da pressão arterial é uma grande preocupação para a enfermagem e deve ser um ponto abordado com os cuidadores antes de ser dada a alta hospitalar do paciente, pois o reconhecimento precoce dos mesmos pode estimular o cuidador a procurar assistência especializada para o paciente em tempo hábil na tentativa de evitar possíveis sequelas provocadas pela hipertensão arterial instalada por longo período.

Os modos terapêuticos para hipertensão arterial também surgiram nas falas dos entrevistados. A terapia medicamentosa foi citada como determinante para o controle da hipertensão, como podemos constatar na fala de C25: “Quando a pessoa tem pressão alta, tem que tomar remédio para controlar.” Os hábitos alimentares também fizeram parte dos relatos, sendo entendidos pelos cuidadores que alimentos com excesso de sal e gorduras são verdadeiros inimigos dos hipertensos: “Ela não pode comer comida salgada, senão a pressão aumenta muito” (C11), “Tem que ter cuidado com coisa salgada e gordura” (C20).

É bem sabido que todo tratamento, especialmente das doenças crônicas, por seu caráter permanente, a adesão do cliente é determinante para o sucesso terapêutico, por isso o autocuidado deve ser estimulado. Porém, em muitas das vezes, o paciente retorna à sua casa debilitado em detrimento de morbidades associadas à hipertensão que o torna muito dependente de cuidados domiciliares incluindo a tomada de medicação e alimentação.

Por esse motivo, o cuidador familiar é, sem dúvidas, uma pessoa que auxilia o paciente e a equipe de saúde no controle da hipertensão arterial, devendo o enfermeiro orientá-lo durante a hospitalização do paciente quanto à importância da realização correta do tratamento anti-hipertensivo, incluindo medidas farmacológicas e mudanças no estilo de vida, incluindo hábitos alimentares saudáveis e prática de exercício físico, se as condições de saúde do paciente permitirem.


Conclusões
Diante do exposto, conclui-se que os cuidadores dos pacientes hipertensos ainda possuem um conhecimento muito frágil relacionado às questões sobre hipertensão arterial, porém isso não é relacionado à falta de vontade em obter mais informações a respeito e sim, à pouca iniciativa dos enfermeiros dessas unidades em orientar os cuidadores e educar para o autocuidado no domicílio.

Questões relacionadas aos sinais e sintomas sentidos pelo paciente durante uma crise hipertensiva, tomada da medicação da forma correta prescrita e estímulo para seguir hábitos de vida mais saudáveis necessitam ser conhecidos pelos cuidadores de pacientes hipertensos, para que eles possam participar efetivamente do tratamento, sendo aliados da equipe de saúde.

Dentre os membros da equipe multiprofissional, destacamos o enfermeiro como a categoria que está presente durante as 24 horas do dia no ambiente hospitalar e que tem formação comprovada em educação para a saúde, fazendo dele o responsável por orientar os cuidadores de forma simples e compreensível, utilizando-se de uma linguagem compatível com a clientela, a fim de proporcionar a obtenção de conhecimento por parte do cuidador e facilitar o cuidado domiciliar do hipertenso.



REFERÊNCIAS

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Departamento de Ações
    Programáticas Estratégicas. Plano de reorganização da atenção à hipertensão arterial e ao diabetes mellitus: hipertensão arterial e diabetes mellitus. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.
  2. Sociedade Brasileira de Cardiologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão.
    Rev Bras Hipertens v. 17, n.1 p. 7-10, 2010.
  3. Sociedade Brasileira de Cardiologia. VI Diretrizes Brasileiras de Hipertensão.
    Rev Bras Hipertens vol.17(1):11-17, 2010.

 




 

 



Publicación: Octubre 2011

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