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Prevalência da Hipertensão Arterial
Sistêmica no Rio Grande do Sul
e Fatores de Risco Associados

Iseu Gus, Miguel Gus,
Airton Fischmann, Claúdio Medina

Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul/Fundação Universitária de Cardiologia
e Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul

SUMMARY

RESUMO
Introdução: Apesar da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) ser um importante fator de risco (FR) para doença cardiovascular são poucos os dados relativos a sua prevalência nos diferentes estados e na totalidade da população brasileira. Objetivo: Mostrar a prevalência da HAS no Rio Grande do Sul (RS), ano 1999-2000, e a associação de alguns prováveis Fatores de Risco (FR) da doença arterial coronariana.
Métodos: Um questionário padrão preenchido no domicilio por Agentes de Saúde da Secretaria de Saúde do RS (SES/RS) e das Secretarias Municipais de Saúde de 19 Coordenadorias Regionais de Saúde; amostras sangüíneas analisadas com a mesma técnica padrão no Laboratório Central da SES/RS. Criado Banco de Dados em programa EPI-INFO. Os resultados com 95% de intervalo de confiança. População pesquisada: 1063 pessoas com idade 20 (vinte) anos. Considerou-se como cifras de HAS 160/95 na tentativa de se atenuar o efeito de regressão a média, pois as verificações de pressão arterial foram feitas no mesmo dia e não em dias diferentes.
Resultados: A prevalência de HAS encontrada foi de 14,4% com IC 12,3-14,4. A tabela mostra o modelo de regressão logística onde fica identificado a associação independente dos diferentes fatores e HAS (Tabela 1).

Conclusão: A prevalência de HAS no RS continua elevada e tem como FR associados a idade, obesidade, e a dislipidemia. Houve uma associação limítrofe entre o sexo masculino e HAS. A diabete, o fumo, e as condições econômicas não mostraram significância.

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INTRODUÇÃO
   As doenças cardiovasculares (DCV) representam importante problema de saúde pública não só no nosso meio (1), mas em todo o mundo, visto que constituem a principal causa de morbi-mortalidade e representam os mais altos custos em assistência médica.

   Algunas principais fatores de risco (FR) para doença arterial coronariana (DAC) são conhecidos e comprovados (2) como: hipertensão arterial sistêmica (HAS), tabagismo, dislipidemias, obesidade, sedentarismo, antecedentes familiares, diabete melito (DM) e antecedentes familiares. É necessário conhecer a prevalência destes FR, isolados ou combinados, pois é através da redução deles, e com programas de prevenção primária e secundária, que objetivaremos a efetividade de qualquer programa de saúde.

    Com o uso do método epidemiológico na investigação clínica a prevenção vem crescendo e criando conceitos e linhas de conduta para as Doenças Crônico Degenerativas (DCD). Com um método simples e de baixo custo se conseguiu realizar um levantamento no Rio Grande do Sul (RS), e deste levantamento foi analisado em separado HAS.
A fase de execução do presente estudo foi de julho/1999 a outubro/2000, e pretende estabelecer a real prevalência dos FR para a DAC no RS.

OBJETIVOS
   Conhecer a prevalência da HAS na população RS e sua provável associação, independente, dos diferentes FR pesquisados (tabla 1) e a HAS.

MATERIAL E MÉTODOS
   Estudo observacional, analítico, de delineamento transversal e de base populacional do RS. Os parâmetros utilizados para cálculo da amostra foram: tamanho da população: infinita, erro (precisão absoluta): 3%, prevalência esperada: 50% (variabilidade máxima), nível de confiança: 95%, tamanho calculado da amostra: 1.066, representatividade: Estado do Rio Grande do Sul.

    Com a finalidade de distribuir a amostra de maneira homogênea, selecionou-se o município sede de cada uma das dezenove (19) Coordenadorias da Secretaria do Estado de Saúde em todo RS (SES/RS). O número amostral foi determinado pela fórmula (figure 1):

Figura 1

   A pesquisa foi orientada pelo Serviço de Epidemiologia da Fundação Universitária de Cardiologia/Instituto de Cardiologia do RS (IC/FUC), pela Seção de Controle de Agravos de Doenças Crônico-Degenerativas da SES/RS.
Cada município sede, dividido em zonas e nestas foram sorteadas as ruas e nas ruas, casa sim casa não, foi visitada e seus moradores convidados a participarem da pesquisa. Participaram da pesquisa todas as pessoas com 20 (vinte) anos de idade ou mais, residentes no domicílio sorteado.

   Foi medida a pressão arterial em dois momentos durante a visita, registrando-se a última; e verificado o peso. Os esfigmomanômetros e as balanças passaram pela aprovação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO/RS), sendo descartados os não aprovados.

   No questionário utilizado consta dados básicos como o nome, endereço, idade, sexo, residência. Responderam às perguntas referentes à possíveis antecedentes de doença coronariana em familiares, uso de determinado tipo de medicamento ou tratamento para a hipertensão, hipercolesterolemia ou diabetes. Foram coletados 5 ml de sangue em jejum para as dosagens de colesterol total e glicose.

   Todas as dosagens de colesterol e glicose foram realizadas pelos mesmos profissionais do Laboratório Central do Estado/Fundação Estadual de Pesquisa em Saúde (LACEN/FEPPS), em amostras de sangue colhidas em jejum no dia seguinte à primeira visita quando os moradores aceitavam participar da pesquisa.

RESULTADOS
   A prevalência de HAS encontrada foi de 14,4% com IC (intervalo de confiança) 12,3 - 14,4. A tabla 2 mostra o modelo de regressão logistica onde fica identificado a associação independente dos diferentes FR e a HAS.

DISCUSSÃO
   A prevalência de HAS ao que indica, comparando com os trabalhos anteriores (3-5) não mostra diminuição. Fuchs (6) encontrou 19,2% em Porto Alegre (PA 160/95). A OMS (7) em adultos brasileiros e em ambos sexos dá uma prevalência de 15%; Duncan (4) em Porto Alegre 14%. Lotufo (5) em S.Paulo encontrou 15,5% em hipertensos homens e 7,8% em mulheres, na amostra atual do total 15%, 47,3% eram homens hipertensos e 52,7% mulheres.

   Como era de se esperar houve uma associação com o aumento da idade (figura 2) e com o aumento do peso (figura 3), tendo como parametro o índice de massa corporal (IMC): 25 sobrepeso e 30 obeso. A associação com a dislipidemia deverá ser melhor estudada, bem como a não associação com a DM e o fumo.

CONCLUSÃO
   A prevalência de HAS no RS continua elevada e tem como FR associados a idade, obesidade, e a dislipidemia. Houve uma associação limítrofe entre o sexo masculino e HAS. A diabete, o fumo, e as condições econômicas não mostraram significância para esta associação.

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Risk Factors prevalence in coronary arterial disease in the State of Rio Grande do Sul - Brazil

SUMMARY
Purpose: To study the prevalence of the main risk factors (RF) for coronary artery disease (CAD) in the State of Rio Grande do Sul (RS), Brazil. Besides they can serve it as basis to the analysis of the effiency of health actions in primary prevention for CAD.
Method: Observational, cross sectional study of a sample of 1066 adults ( 20 years old), living in RS. The study was powered to evaluate the conditions of interest. RF evalueted: sedentary life, family antecedents of CAD, overweight and obesity, smoking, arterial hypertension, elevated fasting glucose and elevated total cholesterol. Standart questionnaires were filled at the indivivuals home by trained technician from government health department including all the 19 wealth sections of RS. Blood samples were analyzed by standart technique at a central laboratoty. It was created a data bank using EPI-INFO program. Results are expressed as percentages and their 95% confidence intervals.
Results: The sample consisted: 51,8% females and 48,2% males; 1) sedentarism 71,3% (CI=68,6-74,0); 2) family antecedents 57,3% (CI=53,9-60,7); 3) obesity and over weigh (BMI25): 54,7% (CI=51,7-57,7); 4) current smoker 33,9% (CI=31,0-36,8); 5) arterial hypertension 140/90 31,6% (CI=28,8-34,4) and 160/95: 14,4% (CI=12,3-16,5); 6) fasting glucose 126 mg/dl: 7,0% (CI=5,4-8,6) 7) colesterol 240 mg/dl: 5,6% (CI=4,2-7,0).
Conclusions: The prevelence of the main RF for CAD in RS was uncovered and in different ages. This study was made possible through the coordinated work of private and public institutions witch is a required condition to the proposition and establishment of health policies and actions

REFERÊNCIAS

1. Gus I, Zielinsky P. As Cardiopatias no Brasil. In: Ferreira C; Póvoa R. Cardiologia para o Clínico Geral. Rio de Janeiro: Atheneu, 1999:131-43.

2. 27th Bethsda Conference - Matching the intensity of risk factor management with the hazard for coronary disease events. JACC 1996;27(5):957-1047.

3. Achutti A, Achutti VR. Fatores de risco para aterosclerose. Elementos para descrição da situação no Rio Grande do Sul. Arq Bras Cardiol 1994;63(5):427-31.

4. Duncan BB, Schimidt MI, Polanczyk CA, Hormrich CS, Rosa RS, Achutti AC. Risk Factors for non-communicable diseases in a metropolitan area in the south of Brazil. Prevalence and simultanelty. Rev Saúde Pública, 1993;27(1):43-8.

5. Lotufo PA. Epidemiologia da hipertensão arterial sistêmica no Brasil. In: SOCESP II - Cardiologia: Atualização e Reciclagem. São Paulo: Atheneu, 1996:327-31.

6. Fuchs FD. Hipertensão Arterial Sistêmica. Epidemiologia e Prevenção. Arq Bras Cardiol 1994,63:443-44.

7. Guidelines for the management of mild hypertension. Memorandum from a World Health Organization/International Society of Hypertension. Meeting Guidelines Sub-committee. J Hypertension 1993;11:905-18.

 

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